Tempo de Natal
Comprei uma prenda. Não foi particularmente cara nem foi para umas pessoas com quem convivo, foi para um casal que tem uma criança e que são amigos do meu marido. Logicamente, a prenda foi direcionada à criança numa forma de agrado aos pais e de poupança de dinheiro. O meu marido soube quando a mesma chegou e ficou surpreendido por eu ter tido essa iniciativa dado que eu não gosto particularmente do casal mas contente por ser algo original, útil, barato e de não ter de pensar mais nisso. A única coisa que lhe pedi foi: logo que possas entrega a prenda pois é grande, não tenho onde a guardar em casa e vocês tem forma de se encontrar dado que trabalham perto um do outro ou até podem marcar um café. Tudo bem, assim ficamos combinados. Passaram duas semanas. A prenda andava na mala do carro. As desculpas eram um pouco de tudo: porque é cedo para entregar, porque ele não está a atender as chamadas, porque não vou ligar a um domingo, porque não lhe vou pedir para passar aqui, porque não me apetece passar lá, porque então anda tu comigo, porque se fosses em condições vinhas comigo porque foste tu quem comprou a prenda e entregávamos os dois. E assim começou. Eu pedia para ele tentar entregar e tinha estas respostas. Até ao dia em que o meu copo ficou cheio e tirei a prenda da mala do carro dele e fiz uma viagem de 25 minutos para entregar a prenda ao tal casal. Não estavam em casa. Deixei dentro do portão, escondida mas visível para eles, tentei tocar a campainha mas ninguém veio e notava-se claramente que não estava ninguém pois era de noite e os estores estavam abertos e não havia nenhuma luz. Cheguei a casa e disse ao meu marido. A resposta dele? Não és uma pessoa decente porque se o fosses não deixavas a prenda assim a porta entregavas em mãos, se disseste antes que não querias ir comigo entrega-la és uma mentirosa agora a dizeres que tocaste à campainha, pensas que as pessoas têm de estar de pernas abertas para ti, tem de ser tudo à tua maneira, tem que ser tudo como tu queres. Isto deixou-me de tal forma abatida que me custa olhar para ele, custa-me olha-lo com amor, com carinho, com o bater das pestanas que antes me orgulhava de dizer é o meu marido que apesar de as vezes não saber como me ajudar, ama-me. Isto não foi uma discussão, isto foi violência, foi um grave episódio de violência doméstica psicológica. E eu fico a pensar, como é que eu me casei com alguém assim? Eu fiz de tudo para não seguir as pisadas do passado e acabo assim? Não pode ser porque eu não mereço isto. Se mereço, então não devo continuar o meu caminho nesta vida.
Ah, a resposta do casal? A prenda já está debaixo do pinheiro.


Comentários
Enviar um comentário